O ministro da Defesa do Kosovo confirmou hoje que um membro das forças de segurança participou no ataque a tiro de sexta-feira que feriu dois jovens, incluindo um menor, da minoria sérvia em Strpce, no sul de Kosovo.

"Fui informado de que um membro da força de segurança do Kosovo esteve envolvido no incidente ocorrido em Strpce. As autoridades judiciais e de segurança estão a tratar do caso", disse Armend Mehaj na rede social Facebook.

De acordo com a agência de notícia Europa Press, sabe-se que um indivíduo foi detido, mas não foram divulgados mais detalhes.

"Expresso o meu profundo pesar pelo que aconteceu em Strpce. Desejo uma rápida recuperação aos feridos. Casos como este são isolados, mas mesmo assim não deveriam acontecer", acrescentou o ministro sobre o ataque aos jovens.

Uma das vítimas foi ferida num braço e outra no ombro, tendo sido transferidas para o hospital de Gracanica (centro).

A população sérvia local saiu à rua em protesto contra o ataque armado contra os dois jovens, de 11 e 21 anos.

A missão civil da União Europeia no Kosovo (EULEX) condenou inequivocamente o atentado de sexta-feira contra os dois jovens da minoria sérvia e prometeu manter-se a par do desenrolar da investigação.

A situação de segurança no Kosovo, antiga província do sul da Sérvia, permanece frágil após o recente agravamento das tensões entre a maioria albanesa e a minoria sérvia.

Em dezembro, no norte do Kosovo, os sérvios locais mantiveram durante quase três semanas um bloqueio do tráfego por considerarem que as autoridades de Pristina restringem os seus direitos.

Os sérvios kosovares estão concentrados no norte, junto à fronteira com a Sérvia, e em vários enclaves no centro e sul do Kosovo.

Belgrado nunca reconheceu a secessão unilateral do Kosovo em 2008, proclamada na sequência de uma guerra iniciada com uma rebelião armada albanesa em 1997 que provocou 13.000 mortos, na maioria albaneses, e motivou uma intervenção militar da NATO contra a Sérvia em 1999, à revelia da ONU.

Desde então, a região tem registado conflitos esporádicos entre as duas principais comunidades locais, num país com um terço da superfície do Alentejo e cerca de 1,7 milhões de habitantes, na larga maioria de etnia albanesa e religião muçulmana.

O Kosovo independente foi reconhecido por cerca de 100 países, incluindo os Estados Unidos, que mantêm forte influência sobre a liderança kosovar, e a maioria dos Estados-membros da UE, à exceção da Espanha, Roménia, Grécia, Eslováquia e Chipre.

A Sérvia continua a considerar o Kosovo como parte integrante do seu território e Belgrado beneficia do apoio da Rússia e da China, que à semelhança de dezenas de outros países (incluindo Índia, Brasil ou África do Sul) também não reconheceram a independência do Kosovo.

Belgrado e os sérvios kosovares também acusam Pristina de bloquear sistematicamente a formação de uma associação de municípios sérvios, prevista nos acordos entre as duas partes assinados em 2013 e mediados pela UE, que permitiria um assinalável grau de autonomia a esta comunidade.

/ AM