A emissora RPP Noticias e o jornal La República denunciaram na sexta-feira agressões a jornalistas durante a cobertura das manifestações antigovernamentais no centro de Lima, capital do Peru.

A RPP disse que equipamento de trabalho foi roubado à repórter Andrea Amésquita, que terá, além disso, sido atingida por uma pedra enquanto fazia a cobertura das manifestações.

"Roubaram-nos o microfone da câmara, além de nos terem atirado pedras, porque estávamos no meio de fogo cruzado entre a Polícia Nacional, que lançava bombas de gás lacrimogéneo, enquanto os manifestantes atiravam pedras da calçada e garrafas de água", disse Amésquita.

A repórter explicou que durante o incidente um homem tirou um microfone das suas mãos e, ao perceber que estava a ser filmado, fugiu após dizer: "É isso que querem gravar".

O jornal La República também referiu que o repórter de imagem Omar Coca foi agredido por manifestantes que terão exigido ao profissional que parasse de filmar um ataque de um grupo contra uma pessoa.

"Mandaram-me para o chão e deram-me pontapés", disse Coca, acrescentando que os atacantes destruíram o telemóvel e material de trabalho.

As manifestações no Peru começaram em dezembro após a presidente Dina Boluarte (que era vice-presidente) ter assumido a chefia do Estado na sequência da destituição do então presidente, Pedro Castillo, pelo Congresso, acusado de tentar executar um golpe de Estado ao anunciar a dissolução deste órgão.

Desde essa altura, milhares de pessoas têm-se manifestado a pedir a renúncia de Boluarte, novas eleições em 2023, a libertação de Castillo, entretanto condenado a 18 meses de “prisão preventiva”, e justiça para as vítimas dos protestos.

Na sexta-feira, dirigentes e ativistas envolvidos nos protestos indicaram que as mobilizações no Peru vão prosseguir para exigir a demissão da líder peruana.

“A luta vai prosseguir em todas as regiões até à demissão de Boluarte e à satisfação das nossas reivindicações, eleições este ano e um referendo para uma Assembleia constituinte”, disse à agência noticiosa AFP Gerónimo López, secretário-geral da Confederação geral dos trabalhadores do Peru (CGTP).

Os protestos no Peru já provocaram pelo menos 59 mortos e centenas de feridos desde 7 de dezembro.

/ AG