Más notícias para quem sofre de alergias: esta primavera pode ser mais difícil - e atenção já à próxima semana - TVI

Más notícias para quem sofre de alergias: esta primavera pode ser mais difícil - e atenção já à próxima semana

Um maior risco de tensão arterial elevada foi encontrado entre as pessoas com asma, afirmaram os investigadores. Foto: Nikola Stojadinovic/E+/Getty Images

Saiba porquê

Nariz entupido, espirros, comichão, olhos vermelhos, tosse ou pieira: com a aproximação da primavera e do tempo mais ameno, começam as dores de cabeça para quem sofre de alergias aos pólenes. Os pólenes são os principais alergénios que encontramos no ambiente exterior e induzem sintomas de doença alérgica, como a rinite, a conjutivite ou até a asma. Para já, os níveis polínicos ainda estão baixos, mas na próxima semana, com as previsões meteorológicas a apontarem para um aumento das temperaturas - Lisboa pode chegar aos 21 graus e Faro aos 24 -, a concentração de pólenes deve aumentar.
 
"Para a semana é expectável que os níveis aumentem. Subindo ainda mais a temperatura média, é natural que os níveis polínicos possam aumentar ainda mais. É o percurso polínico que ocorre na primavera. No início de março começam a aumentar e gradualmente vão aumentando até atingirem os picos que, para os principais pólenes que provocam alergias, são habitualmente no mês de maio", explica à CNN Portugal Pedro Carreiro Martins, médico imunoalergologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).
 
Ainda assim, o médico ressalva que é preciso "esperar para ver" porque, se chover nos próximos dias, "os pólenes voltam a assentar e as alergias não se manifestam".
 
Os pólenes que mais causam alergias em Portugal são o das gramíneas, das parietárias e depois o da oliveira. E é precisamente na primavera que estes existem em maior concentração na atmosfera. É que os pólenes vão variando consoante a estação e os meses do ano: por exemplo, nesta altura ainda existem pólenes de cipreste, que são frequentes de dezembro a março.
 
"O pólen do cipreste é habitualmente de dezembro a março e por isso está a terminar. O que nos vai preocupar agora são os pólenes de gramíneas, das parietárias, da oliveira. O do plátano, que dá habitualmente aquele algodão, também vai aumentando nesta altura do ano, apesar de não ser um dos pólenes mais preocupantes", sublinha Pedro Carreiro Martins.

Relativamente à concentração por regiões, o médico lembra que "não somos um país tão grande assim, pelo que os pólenes são facilmente transportados do campo para as cidades". "Quanto mais perto da fonte de pólen mais provável os níveis polínicos serem elevados", mas vinca que "temos níveis polínicos muito elevados em Lisboa e no Alentejo", por exemplo. 

É certo que a primavera ainda não começou, mas este ano há um dado importante a ter em conta e que pode agravar o cenário para quem sofre de alergias: é que o inverno foi chuvoso e isso influencia diretamente os níveis polínicos.
 
"Sabemos que sempre que temos um inverno com mais chuva isso depois facilita o crescimento e a germinação das plantas que provocam alergias. Por isso, é expectável que, dado o inverno chuvoso, as plantas estejam mais vigorosas e que polonizem de forma mais intensa", alerta o especialista.
 

O que pode fazer para evitar os sintomas

Os sintomas de doença alérgica podem afetar profundamente a qualidade de vida dos doentes. Quando começam a surgir, tendem a persistir durante um longo período de tempo e normalmente a agravar-se. Apenas uma pequena percentagem de doentes (cerca de 8%) apresenta remissão clínica espontânea, isto é, deixa de ter sintomas sem tratamento.
 
Por isso, os doentes devem pedir uma consulta com um médico de imunoalergologia para um diagnóstico correto, uma avaliação adequada e respetiva prescrição da medicação.
 
Mas como a gravidade das manifestações alérgicas depende não só da concentração de pólen na atmosfera como também da exposição do indivíduo, há medidas de proteção que podem ajudar a evitar males maiores. Vejamos algumas das principais:
  • A primeira medida passa desde logo por estar atento à divulgação dos boletins clínicos que são publicados pela SPAIC, refere Pedro Carreiro Martins;
  • depois, "quem tem alergias na primavera deve tomar a sua medicação e não tomar só a medicação quando precisa", alerta o médico;
  • nos dias de maiores picos clínicos, "evitar caminhadas ao ar livre" e "evitar praticar exercício físico no exterior";
  • na rua, "utilizar óculos escuros, que acabam por ser uma proteção";
  • se andar de carro deve "fechar os vidros para os pólenes não entrarem";
  • os motociclistas devem usar "capacete integral".
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