«O PSD não deixará o país ficar numa situação pantanosa» - TVI

«O PSD não deixará o país ficar numa situação pantanosa»

Quem avisa é Pedro Passos Coelho, caso o Governo não se demita na próxima quarta-feira

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Durante meia-hora, José Sócrates não conseguiu convencer Pedro Passos Coelho a mudar de opinião em relação ao PEC 4, cuja inviabilização prevista para esta quarta-feira, no Parlamento, deverá levar à demissão do Governo.

Caso o Governo não se demita na sequência do chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento, o líder do PSD lançou um aviso: «O PSD não deixará o país ficar numa situação pantanosa se o Governo não retirar daí as devidas ilações».

Explicando que o PSD «não diz uma coisa num dia e outra no outro», o líder laranja disse esperar que, «por mais dificuldades que tenhamos de enfrentar, e o pais vai enfrentar dificuldades - está a enfrentar dificuldades - nós teremos de as vencer, não para salvar o Governo, mas para salvar Portugal».

Passos Coelho disse ainda que o PSD «não anunciou ainda qualquer projecto de deliberação na medida em que não conhece ainda o programa de Estabilidade e Crescimento».

Em todo o caso, deixou claro não estar a ser pressionado pelas instituições europeias para deixar passar o PEC 4. «O PSD não tem sido pressionado nem por nenhuma instituição europeia, nem sequer por parceiros europeus - gostaria que isto fosse bastante claro».

A posição transmitida pelos sociais-democratas ao Governo foi, aliás, uma repetição das posições que Passos Coelho já tinha dito - a reafirmação irredutível da sua posição. «Julgamos que o esforço que o Governo quis fazer, apresentar ao país o indispensável para corrigir a situação portuguesa, foi feito de uma forma desadequada, de uma forma desleal relativamente aos órgãos de soberania, aos partidos políticos, aos parceiros sociais, e ao país. E reafirmámos ao senhor primeiro-ministro que o conjunto das medidas que foram acertadas pelo Governo com a Comissão Europeia e com o Banco Central Europeu não podem merecer a posição favorável do PSD e a sua viabilização, na medida em que configuram um caminho profundamente injusto para os portugueses na correcção dos desequilíbrios que temos».

Pedro Passos Coelho lembrou ainda que aceitou negociar o Programa de Estabilidade e Crescimento o ano passado e depois o Orçamento de Estado - mas o Estado governado por José Sócrates não cumpriu com o acordado.

«De acordo com esses documentos, Portugal deveria este ano atingir um défice de 4,6, para o ano um défice de 3 por cento e em 2013 um défice de 2 por cento. A razão por que hoje os mercados e a União Europeia duvida que esses resultados sejam alcançados deve-se, evidentemente, ao fraco desempenho que o Governo tem tido nesta matéria. Não estão, portanto, reunidas condições de confiança para que qualquer negociação seja reeditada entre o PSD e o Governo. O país sabe disso e é importante que saiba que não hesitamos nesta matéria».

O líder laranja deixou claro que esta crise não foi espoletada pelo seu partido e acusou o Governo de mentir: «O Governo abriu uma crise política em Portugal quando anunciou aos portugueses que tinha concertado um novo programa de austeridade que negou durante semanas e meses a fio em Portugal. Não foi o PSD que comunicou ao país que, para cumprirmos os objectivos, seria preciso um novo quadro de austeridade. Se esse quadro de austeridade é necessário, como hoje diz o Governo, parece-nos insustentável que o Governo estivesse semanas e meses a dizer ao país que essas medidas adicionais não seriam necessárias».

José Sócrates está a ouvir os partidos durante o dia de hoje no âmbito do novo PEC que o levará quinta e sexta-feira a Bruxelas. Depois da reunião com a comitiva socialista, Francisco Assis apelou novamente à negociação. O CDS coloca-se de parte e não participa ruído entre o PS e o PSD»>
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