Entrevista a Tony Carreira na íntegra. A amizade com Dolores, a "sorte" deste trabalho e a morte da filha: "Um abraço diz muito, porque as conversas não adiantam nada" - TVI

Entrevista a Tony Carreira na íntegra. A amizade com Dolores, a "sorte" deste trabalho e a morte da filha: "Um abraço diz muito, porque as conversas não adiantam nada"

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  • 16 mai 2023, 22:00

Em entrevista a Manuel Luís Goucha, no programa "Conta-me" da TVI, no passado sábado, Tony Carreira relatou como correram os dias a bordo de um cruzeiro com os fãs e como o trabalho é importante para si. O cantor contou como está a lidar com a morte da filha, revelando também que foi contra os filhos fazerem carreira na sua área

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Manuel Luís Goucha: Posso entrar?

Tony Carreira: Tu deves entrar.

Bem, já percebi que aqui não se pode fumar. Tu fumas? Apanhei-te! Não acredito!

Menos...

Ah, muito bem! E isso não te afeta a voz? 

Sim, claro que sim.

Portanto, não aconselhas a ninguém? 

Não aconselho. 

E aqui não fumas? Porque é proibido?

Aqui não fumo e respeito. E aqui ninguém fuma.

O que é isto? Eu fico fascinado com estas mesas. Isto é uma mesa de quê? De mistura?

Isto é uma das melhores mesas do mundo e há poucas já no mundo porque já não se fabrica.

Porque é analógica?

Sim, mas é uma mesa fantástica. Mas eu não sei mexer nisto.

E é aqui também que tu crias as tuas canções?  Ou as canções podem surgir, por exemplo, em tua casa? 

Por norma, compomos fora daqui. E aqui gravamos, limamos as últimas coisas. Mas aqui é mais…

Já com os músicos?  

Sim. Aqui é a gravação.

E tu obrigas-te a ter uma disciplina, não direi diária, mas tu tens fases em que “Agora vou tentar compor”. É assim ou uma canção pode surgir do nada?

Essa cena da canção surge do nada, eu não acredito nisso… Isto é um trabalho.

É disciplina?

É disciplina. É a mesma coisa que dizer  “Olha, hoje vou pregar um prego ali, porque tenho que…”  É a mesma coisa, portanto, e aqui é hoje vou fazer o esforço.

Mas pode não sair? 

Pode não sair, é a diferença  Porque o prego naquele dia a gente prega-o.  Mas a canção pode não sair.

Pode-se pregar mal o prego e fazer um buraco.  Então tu és um artífice de canções?

Sim, é a minha profissão.  

A profissão que sempre quiseste?

Sim, sempre quis.

Já estás recuperado de uma semana de cruzeiro?  

Já, já. Estou, estou. Bem, recuperado ainda não. Ainda estou aqui com uma constipação

Aliás, estamos os dois... Mas eu não andei em alto mar.  

Já, olha, foi fantástico, foi muito bom  

Quem é que teve a ideia deste cruzeiro? Como é que surgiu esta ideia?

Esta ideia surge entre nós e a Agência Abreu. Talvez a Agência Abreu que falou em primeiro. Ou nós é que sugerimos essa ideia

E achaste piada à ideia?  

Muito, muito. Gostei muito mesmo. Foi uma experiência completamente diferente  

Nunca tinhas feito um cruzeiro?  

Eu nunca tinha feito um. Portanto, para mim foi a primeira vez em tudo. E diverti-me muito. Foi muito agradável. Principalmente, há um concerto, que essa ideia foi minha... Eu oferecer esse concerto.  

Na piscina?  

Sim. E foi brutal. Adorei, adorei. Nunca tinha feito uma coisa tão relax com o público  E foi fantástico para mim

E porque é que tiveste a ideia de oferecer esse concerto na piscina? Quando, aliás, já tinhas três concertos, não é? No grande auditório, que leva mil e muitas pessoas?

Sim, porque no pacote que as pessoas tinham direito, havia um concerto, uma vez que eram sensivelmente à volta de 4.000 pessoas. E a sala tinha capacidade para 1400. Portanto, para que toda a gente pudesse ver o concerto, tinha de haver três concertos. E depois, então, eu lembrei-me: “Então era bom que a gente fizesse um em que estivessem todos”  Então, vamos fazer esse à volta da piscina. A sala era lindíssima. Muito bonita, muito elegante. 

Com muito boas condições?  

Muito boas condições, sim. Nós levámos um excesso de material também, porque eu sou assim. Mas muito boas condições. 

Levaste muito material... isto quer dizer que tu preparaste cada um dos três concertos nos mais pequenos detalhes?  

Sim  

Há aqui muito trabalho, independentemente do possível lazer, que terá existido, não é?

Claro, tivemos o tempo necessário no barco para ensaiar, para ensaiar, porque era outra sala. E eu faço sempre isso, porque a minha cena é sempre tentar dar o melhor possível do espetáculo, no global. 

Isso é profissionalismo assim?

Sim, sim. E eu levei, como sempre, a minha banda no completo. Levei a parte técnica, enfim, uma porrada de gente

Como é que te preparaste para estar numa cidade flutuante, com 3 mil pessoas? É porque não tinhas como escapar. Porque só se te atirasses borda fora.

Não, isso é mau.

Não sabes nadar?  

Muito mal, eu pareço uma sereia a nadar.

Eu gosto da ideia, uma sereia a nadar. Mas há botes salva-vidas, não te preocupes.

Não, sabes que eu ia mesmo assim. Há um filme que eu vi três vezes, foi o Titanic.  Eu levava sempre aquilo na cabeça, principalmente à noite, a dormir. Porque eu sou muito medricas nessas coisas. E então eu disse: “Epá, a qualquer momento se isto bate eu, eu desmaio.” Foi muito difícil.

Mas terias 3 mil mulheres a salvar-te certamente... (risos)

Não sei se resultaria. Não foi fácil. Mas a minha ideia era estar o mais possível com as pessoas. E foi isso que eu tentei fazer. Claro que não é fácil porque é muita gente  

E o barco é enorme, é uma cidade  

Fui à discoteca duas ou três vezes. Fui até ao casino com a ideia de jogar, não consegui jogar porque as pessoas chegavam ali e portanto, não consegui. Um dia à tarde fizemos uma sessão de karaoke. Foi muito bonito, foi muito agradável essa parte. As pessoas que participaram no karaoke vieram ter connosco na outra parte do cruzeiro, onde tivemos um lanche com essas pessoas. Portanto eu tentei interagir o máximo possível. Claro que é impossível estar muito tempo com cada pessoa. Mas eu fiz o que eu queria. E estou de consciência tranquila, porque realmente fiz o máximo. Porque eu queria fazer aquilo. Eu queria estar com as pessoas. Porque acho que só fazia sentido o cruzeiro dessa maneira. E eu tentei fazer o máximo para estar com elas. E as pessoas no final perguntaram-me quando é que voltávamos a repetir aquele projeto. 

Estás a pensar nisso?

Não estava quando fiz este. Eu não estava, sinceramente  Era mesmo um one shot, só uma vez. E gostei. Não quer dizer que repita, mas tenho ideia. A ideia está cá.

Entretanto saíram umas notícias, que depois são replicadas muito nos sites que vivem à conta disto, de uma ou outra opinião menos agradável em relação, por exemplo, ao facto de não terem estado contigo. Isto entristece-te, magoa-te? Eu só vi duas ou três. E estamos a falar de milhares de pessoas, não é?

Sim, por exemplo, eu cheguei a ler disparates. Disparates, porque depois temos este tipo de imprensa...  

Que só vive à conta disso...  Aliás, parasita.

Parasita mesmo, é horrível. Escrevem coisas que não têm o direito de o fazer, que é do género, que as pessoas a bordo, para verem o espetáculo, tinham de pagar. Isto é mentira.  A pessoa, quando comprou o pacote, tinha a opção de comprar com o espetáculo ou sem. Cada um decidiu o que quis decidir. Se a bordo, se na compra daquele pacote…

Portanto, há pessoas que poderiam só apenas querer o cruzeiro em si, sem espetáculo.

Sim, sem espetáculo. Se depois a bordo a pessoa mudou de ideia e quis comprar o seu bilhete, naturalmente… Que eram essas regras do jogo.

Acredito que tenha havido pessoas que ficaram para os três espetáculos. 

Sim, que ficaram para os três espetáculos.

O que é que tu sentes quando sabes, e eu ouvi isto, nomeadamente, nos meios de comunicação social, na TVI, porque há uma equipa que te acompanhou. O que é que tu sentes quando percebes que há pessoas que vêm de vários pontos do mundo para estar contigo neste cruzeiro?

É uma sensação do caraças, mesmo. Veio muita gente do Canadá, de França, da Suíça e de outros países. Das Bermudas, de Portugal claramente a maioria. E é fantástico porque eu ainda hoje, e estou a festejar 35 anos de canções, fico…

Espantado?  

Espantado...  Eu, quando chego ao pé do cruzeiro e vejo aquele monstro, eu digo, epá, isto é para mim, não é? Pareço um puto, porque isto é uma parte que ainda tenho em mim.  

O puto de Armadouro?  

Sim, sim, sim  

Cabril, Pampilhosa da Serra.

Sim. E claro que ainda hoje isso… Como é que é possível? Estas pessoas vêm todas para me ver? Ainda hoje tenho isso. Chamem isto o que quiserem, mas eu sou assim.

Que justificação encontras para esta legião de fãs que te segue, vindo de propósito para um cruzeiro? Isto tem a ver com o quê?

Não sei, não sei, não sei. Eu ainda hoje fico…

Tem a ver com as canções que tocam o coração das pessoas? Tem a ver com a generosidade que tu emprestas às tuas atuações e ao contacto com elas?

Acho que há coisas que já são para lá das canções. Ainda agora, o último concerto, que foi em Barcelos, uma multidão, uma mancha, uma coisa… Há um momento em que eu toco uma balada e que vejo, sei lá, 40 mil telemóveis acesos. É uma cena indescritível. 

E se estamos a falar de 35 anos de canções, estamos a falar de gerações, na mesma família portanto, de avós, de mães, de filhos, não é? Neste cruzeiro, maioritariamente iam mulheres ou também iam os respectivos cônjuges?

Havia de tudo um pouco. Havia casais. E com filhos, aliás, alguns. Mas sim, na maioria, mulheres.

Uma das mais entusiasmadas era a Dolores Aveiro. De onde é que vem esta amizade?

Vem de um dia, há muito tempo, em que o Cristiano um dia me liga a dizer-me que a mãe dele fazia anos e que gostava muito que eu estivesse presente. E assim foi. Eu sou fã, completamente fã, do Cristiano. O nosso Cristiano…

Porquê?  

Eu conheço o Cristiano fora dos relevados e o Cristiano é uma pessoa fantástica, tranquilo.  No terreno é aquilo, é rock and roll. Porque é aquilo também que o fez vencer tanta coisa, não é?  Aquele feitio. Até aquele, pontualmente, mau feitio. Porque foi essa garra que o fez chegar onde ele chegou e que nos ajudou tanto. Agora, o Cristiano fora do campo é uma pessoa super tranquila. Super humilde, super simpática, com coração gigante. Aliás, ele foi...  Quando criámos a associação da Sara disse logo que sim. Cinco minutos depois eu tinha o vídeo para a nossa emissão. Portanto, nesse aspeto eu admiro-o muito também. Porque eu gosto de pessoas assim, tranquilas e humildes.

Então ele pediu-te para tu fazeres a surpresa à mãe…  

Exatamente.  

E isto foi onde? Foi na Madeira?

Não, ele estava no Algarve. Foi no Algarve, em Vilamoura.

E foi assim que nasceu esta amizade entre Tony Carreira e...

Sim, pouco a pouco, sim 

E Dolores Aveiro?

Um dia, não sei quem é que me disse. Não sei se foi uma das filhas, se foi o Cristiano, que me diz: “Olha, eu já apresentei à Dolores, ou à minha mãe, o Elton John, o Júlio Iglesias, mas ela quer é... é Tony”. E pouco a pouco ela tem estado sempre muito presente nas nossas vidas. Seja a nível pessoal, seja nos concertos. E eu divirto-me muito com ela, porque ela é muito engraçada.

Vocês dançaram e tudo. Ela estava felicíssima...

Muito feliz.

Portanto, iam duas estrelas naquele cruzeiro. Tu e a Dolores, porque certamente as pessoas também andaram à volta da Dolores e conversaram com ela?

Sim, sim. As pessoas gostaram…

E tiraram selfies com a Dolores.

Eu creio que as pessoas gostam muito dela. Porque ela é muito divertida mesmo. Ela é muito terra a terra, é muito tranquila  

É boa gente  

É boa gente.

Tu gostas de boa gente?  

Gosto.

Conheces muito boa gente?

Conheço, conheço. Graças a Deus, conheço muito boa gente, sabes? E a experiência também da associação da minha filha levou-me a perceber algumas coisas... Quem é que realmente tinha coração, quem não tinha.

Tiveste algumas desilusões?

Tive.

Como é que se lida com isso?

Eu já estou numa idade avançada…

Já tens uma estrutura com a qual consegues lidar bem com as desilusões?

Eu acho que saber lidar bem, bem nunca sabemos. Mas claro, com esta idade já aprendi também “olha, é assim…”

Ainda tens muito para aprender...

Pois, certamente.

Olha, tu também aproveitaste para conhecer algumas cidades. Não sei se já tinhas ido a Málaga, mas a Barcelona nunca tinhas ido?

Barcelona, já tinha passado por lá, por concertos que eu já tinha dado em Andorra, mas ir a Barcelona não. Fui ver a Sagrada Família e adorei, adorei. O monumento…

Mas ainda não está completa.

Eu sei.

Está em obras há… Nem sei…

E não sei se um dia vai estar.

Não, acho que sim, acho que sim. Aquela obra do Gaudi é maravilhosa.

Lindo, lindo, lindo. Aquilo parece que são vários edifícios num...

E tudo tem um significado.

É um género de Senhor dos Anéis. É lindo, lindo, lindo. Cada detalhe… Se a gente vai aos detalhes, passamos ali uma semana.

E deu para te isolares? Estavas numa cidade flutuante com quase 4 mil pessoas, para além da tripulação. Deu para tu te isolares e usufruir, por exemplo, de um pôr do sol, de momentos de introspeção?

Sim, porque eu à noite pouco saía. Fui só duas vezes à discoteca e foi rápido. Pouco saía, portanto à noite sim, era o meu momento, nos dias em que não havia concertos. Porque em sete noites houve três concertos à noite. Mas sim, deu tempo.

E agora? Estás a pensar em repetir a experiência?

Não sei se isso vai acontecer, mas estou com duas ou três ideias na cabeça. Ou fazer uma coisa numa escala mais pequena, tipo o Douro. Eu adoro o Douro. Ou fazer uma coisa mais... 

Porque tens os barcos do Mário Ferreira?

Também, do nosso amigo Mário, que são maravilhosos. Ou então, sei lá...  

O teu companheiro de sociedade?  

Sim, somos sócios.

Não apontes para mim, que eu não sou. Eu sou apenas o vosso apresentador.

Ou então uma coisa de calor. Mas aquilo que eu mais gostava de fazer, é uma coisa que eu fiquei de fazer com a minha filha e não fiz. E gostava de fazer um dia e porque não partilhar essa experiência com o meu público? Porque não? Que é os fiordes.

Os fiordes da Noruega são maravilhosos.

É uma viagem que eu gostava muito de fazer. E farei, se tiver tempo.

Nunca pensaste ter um barco? Um iate?  

Ai, não quero.

Porquê?  

Não me metas nisso. 

Nunca pensaste nisso?  

É melhor ter um amigo com um barco, do que ter um barco. Não, não, não.

Tens razão.

Não é nada a minha cena. Eu não tenho tempo, nem vida, nem vontade. Ter tempo pra isso, não. Uma coisa é ir ao mar num projeto destes, ou numa coisa que um dia me apeteça, dois dias e eu alugo um barco e lá vou eu. Agora, ter um barco…O problema do barco, de estar sempre com um problema… Tudo dá problemas e chatices. Eu já tenho tanta coisa para fazer… Não, não me apetece, isso não me apetece.

Tu tens uma agenda carregadíssima de espetáculos. Aliás, estão a decorrer os espetáculos mais intimistas, ligados também ao Continente, e estão a ser um sucesso?

Vão ter um grande sucesso.

E vão até dezembro.

Vão até dezembro. São dez concertos que, isto é uma tour por todos…

Sim, cujas receitas revertem para a associação...

Dentro da nossa turnê, que são... Vai para lá disso. Mas são dez concertos onde todas as receitas revertem para a associação da minha filha e para uma associação local, em cada cidade por onde a gente vai. Esgotam logo e já vamos no terceiro, e é um projeto muito bom.

Onde é que tu encontras paz? É na tua nova quinta no Algarve?

Olha...  Eu quando... Eu não queria voltar para o Algarve, mas encontrei no Algarve, no meio da serra...

Nós até falámos da ideia de ires para o Alentejo...

Porque eu encontrei o Alentejo no Algarve. A região tem uma cena, que não é um monte alentejano, mas é uma coisa do género, no meio da floresta, no meio de uma serra.

Mas o Algarve tem isso. Tem a serra, tem o barrocal, que é a zona do meio.

Mas eu não conhecia essa parte.

Pois, as pessoas só conhecem o litoral.

É, que era aquilo que eu conhecia. 

E há a serra e depois há aquela zona intermédia, que é o barrocal.  

É um sítio… É uma casa, não é grande. Mas com bastante terreno e estou ali em paz. Gosto muito de ir para lá, é um refúgio. 

O que é estar em paz? Numa quinta do Algarve?

Em paz, olha, é ouvir os passarinhos.

É andar descalço?  

É andar descalço lá no meio. Olha, tenho batatas. Se quiseres eu posso arranjar-te batata agora.

Eu também tenho uma horta. Também tens? 

Tenho uma horta. E é fantástico.

Eu também. Eu tenho melões e tomates e… berinjela.

Então melancia ofereço-te eu. Eu tenho lá muita laranja, batatas, cenoura, cebola.

Ah, pois, o Algarve tem muita laranja. Mas és tu que plantas?  

Tenho uma ajuda. Mais ou menos. "Olha, é aqui".

É como eu, é o Rui que planta, mas eu tiro fotografias  Eu também digo "é aí". És cá dos meus. 

Agora, acho que é em junho, já estão prontas. Vou lá, levo a minha mãe, levo o meu pai. Vou levar… Duas, três pessoas, amigos. E vamos tirar a batata. Aí eu vou-te mandar um vídeo aqui…

Fazemos uma troca de vídeos. E eu também a apanhar as berinjelas. Como é que está a mãe? Como é que está o pai?

Olha, o meu pai está bem.

Que idade é que ele tem?

83, salvo erro. Eu nas idades sou um bocado marado. A minha mãe fez agora 81, já está com uns pequenos problemas de saúde que eu não queria falar porque senão...

Com certeza, com certeza. É, são aqueles problemas inerentes ao passar do tempo, não é?

Mas estão bem.

Como é que tu lidas com o passar? Como é que tu lidas, a olhar para a mãe, para o pai, portanto, para os teus pais, e a perceber que eles estão a envelhecer e que o tempo está a passar?

Quando um dos dois partir, para o outro vai ser um drama, não é? Porque são mais de 60 anos…

É um caso de amor? 

Já 65, salvo erro, que estão juntos. É muito tempo. E de repente há um que não está. Vivem só os dois já há muitos anos. 

Vivem um para o outro. 

Isso é o que mais... O pensamento pior que me vem à cabeça, quando…

O que é que herdaste do teu pai? Que valores é que ele te passou? O que é que achas que tens dele?

Do meu pai, penso que esta vontade de fazer, de trabalhar. Eu gosto de trabalho. E isso acho que vem do meu pai. O meu pai era muito assim.  

Tu cumpres-te com o trabalho?  

Sim, sim. Porque eu tenho muito respeito pelo trabalho. Isso vem do meu pai. O lado mais tranquilo, mais coração mole, isso vem da minha mãe.

E o que é que ainda há do puto cheio de sonhos? Sonhos de menino, de Armadouro?

Olha, isto é um sonho. E às vezes custa muito alimentar os sonhos desse menino. Porque eu, ainda hoje, quando me entrego aos projetos, eu acho que ainda é muito esse menino, sabes? Mas depois alguém tem que passar por trás e pagar as contas desse rapaz. E sou eu, o mais crescido. Mas eu ainda hoje funciono muito com a cabeça desse menino.

Aquele António Antunes, que foi a um festival na Figueira da Foz, um festival de música, não imaginava, de todo, que o caminho seria este, passados 35 anos?

Jamais, em tempo algum. Não é falsa modéstia, não. Olha, basta falar do cruzeiro para...  Não, impensável. Um puto de Armadouro, que trabalhou numa fábrica em Paris e que viriam 4 mil pessoas.

Vão sempre milhares de pessoas ver-te.  

Como agora o Altice Arena, que já vamos...  Em novembro, foi lançado agora e já está a correr muito bem. Aconteceram-me coisas na vida...  Eu não podia adivinhar.

Mas tu não sentes que trabalhaste para isso? Que trabalhas permanentemente para isso?

Sim, sim. Mas há tanta gente que trabalha e também não acontece nada.

Quer dizer que aqui também há a componente de sorte, é?

Eu acredito nisso. Acredito que nós temos que provocar a sorte. Claro que ela tem que se provocar. Mas há muita gente que tenta provocá-la e não acontece nada, portanto, é aquilo que eu acredito. Tenho uma gratidão perante o público do tamanho do mundo  Porque até mesmo esta etapa da minha vida não é uma etapa que eu seja feliz, vou-te ser sincero. Tenho momentos de felicidade. Tenho, não posso negar. 

Andas a mascarar a felicidade?

Muitas vezes. E até nisso...  Os portugueses foram...  Eu tenho um público extraordinário e as pessoas não têm noção do quanto, da energia que eu ali vou buscar naqueles dias. 

Já me disseste que foi isso que te salvou. É isso que te salva.  

O que é que me resta? Porque tudo isto para mim foi um apagão gigantesco. Esta tragédia. O que é que me resta? O amor pela... Olha, a Molly, que está ali maravilhosa, no paraíso. Obrigado aqui à... à Patrícia. É os meus cães, os meus filhos. Os meus netos e o meu público. E claro, se eu estiver dois ou três dias muito em baixo, basta haver um concerto e eu volto. E isso devo ao público. Eu sinto mesmo quando estou a cantar que as pessoas estão ali por mim.

Mas sempre estiveram?

Sempre estiveram, sim. 

Agora há uma outra razão. A de te amparar, digamos assim. A de te dar força anímica...

Eu tenho essa sorte. Mas, claro, voltando ao tempo da fábrica, era impossível eu ter tido um dia o pensamento: 'olha, daqui a 35 anos estou a ser entrevistado pelo Manuel Luís Goucha'. 

Isso não tem importância nenhuma...

Não é falsa modéstia, é assim.

Mas este era o teu sonho. Ser um grande artista ou não?  

O meu sonho era ser um grande artista, claro que era. Mas assim que eu tive o contato com a realidade nas primeiras gravações, nos primeiros discos, os que não funcionaram, os nãos, eu já diminuí na altura a fasquia. Bastava cantar e viver da música. Isto tudo não.

E não foi fácil impor-te neste meio?

Não. Mas isto também tem a sua piada. 

É desafiante?  

Acho que depois valorizamos mais as coisas. Agora não, não foi fácil.  

E isso dá-te força? Não é nesta fase, mas deu-te força? Esse desafio que é: 'estão a dificultar-me a vida mas eu vou conseguir'?

Acho que não olhei para as coisas assim. Olhei desta maneira: 'Isto não vai ser fácil, isto não está a ser fácil, ninguém te quer ouvir cantar, mas vou tentar mais uma vez, e mais uma, e mais uma'.

Venceste-os pelo cansaço? 

Talvez. Mas há ali uma altura em que, já te falei sobre isso, eu já estava: 'pronto, olha, se calhar não vai ser'. E há um dia em que a coisa acontece.

Acontece por muitas razões. Acontece pela tua generosidade, volto a dizer, pelo teu carisma, pelo teu talento, pelas canções que dizem muito às pessoas, e pelo cuidado que tu pões em cada espetáculo. Certamente que em novembro quem for ao Altice não vai ver o mesmo espetáculo que já viu em Altices anteriores?

Claro que não.

Até mesmo em termos de desenho de palco?

Não, não.

És tu que pensas em tudo?

Não. Eu acho que um dos trunfos que tive no meu percurso foi fazer os castings das pessoas com quem trabalho. E acho que criei uma grande equipa.

É uma outra família?

Sim, estou muito tempo com eles. E nessa equipa há pessoas a quem eu reconheço muito talento e elas já me conhecem o suficiente para me tentar surpreender, porque a ideia é sempre fazer melhor e melhor.

Não há limite para o sonho?  

Não. Há concertos que faço em que valorizo mais aquilo que me fica na memória do que o dinheiro que possa ganhar. E o Atlântico, o Altice Arena faz claramente parte desse leque.

Mas também quando ganhas muito dinheiro, o dinheiro é depois aplicado em outras coisas. É investido, muitas vezes, até em novos espetáculos, não é?

Eu comprei um novo sistema de som, que custou uma fortuna. Portanto, compro hoje e se vender amanhã vale metade. É quase como um carro, é pior.

E o que é isto onde nos encontramos?

Isto é um estúdio de gravação. Considero que é um dos melhores estúdios da Europa. E é um estúdio de gravação onde eu tenho os ensaios com os músicos, faço as minhas gravações e quem quiser cá vir gravar pode vir.

Ia perguntar isso mesmo. Está aberto, por exemplo, a outros artistas?

Sim, não faria sentido este estúdio ser só para mim. Nesse caso faria um estúdio mais pequeno.

Mas isto também era uma ambição tua? Ter um estúdio com esta capacidade, com estas instalações. Aliás, isto tem várias dependências. Tem escritórios, tem armazéns onde está o material, etc.

Acabou por acontecer. Mas é uma coisa de que eu me orgulho muito, muito mesmo. Quando entrei aqui no estúdio... lá veio o menino, lá veio um puto. E lá atrás é igual, temos muito equipamento de espetáculo. Não só para mim, é para festivais, programas de televisão, para o que quiserem. E isto dá-me vida, sabe? Isto dá-me vida, porque eu preciso também de ter projetos para fazer, ter um motivo para me levantar, para caminhar, para ir em frente. E tudo isto está interligado com os concertos. É daqui que eu levo as coisas para os concertos. É aqui que eu gravo o que precisar. Portanto, isto é uma coisa que me dá vida.

E o puto que vive em ti ainda se deslumbra com o quê?

Com este tipo de coisas, porque há coisas que já não me apetece fazer. 

Tais como?

Sair à noite já não me diz absolutamente nada.

Isso é da idade.

Tu também não?

Eu nunca fui muito da noite, mas eu sou mais velho do que tu.

Há coisas que já não me apetece, como perder tempo com pessoas chatas. Há tanta coisa que já não tenho pachorra para fazer.

É que nós temos menos tempo para a frente, do que temos para trás, portanto…

Eu tento gerir o meu tempo pelo trabalho.

E quando estás em casa? Quando não tens espetáculos e ficas em casa, o que é que gostas de fazer?

Principalmente, adormecer no sofá.

Isso é muito curioso  

Adoro. 

Na cama ainda choras? 

Tenho dias... Sabes, ainda agora estive a falar com um senhor em Barcelos, que também perdeu um filho. E há realmente aqui um ponto comum para todas estas pessoas.  

Que são muitas... 

É muito estranho. Estamos bem durante quatro ou cinco dias e, de repente, lá vem um dia, sem motivo nenhum, cai tudo. Mas é assim.

Tu sentes que há aqui um ponto comum entre estas pessoas todas que perderam filhos?

Aliás, eu só aceito falar disso com pessoas que também passaram pelo mesmo, porque de outra forma não me apetece.

Porque essas pessoas entendem a dor?

E quase que também sinto, o que é estranho, uma vontade de ajudar aquela pessoa também.

Ouvindo-a?

Sim, e até dar-lhe umas palavras. Porque no fundo isto resume-se a isto.  

E às vezes um abraço faz tudo?

Sim, um abraço diz muito, porque as conversas não adiantam nada, já nada vai mudar. Portanto, não me apetece muito falar. Quando as pessoas me vêm falar, confesso que não me apetece muito falar sobre isso.

Mas as pessoas ainda continuam a vir falar?  

Sim, mas parte de um sentimento bonito. Agora quando aparece uma pessoa que me diz 'olhe, estou a passar pelo mesmo', quase que me apetece ir eu abraçar aquela pessoa.

Quando uma mãe ou um pai te abordam…

Principalmente uma mãe. Quando são as mães que vêm falar comigo... mãe é mãe.

A mãe carregou o filho nove meses. A Associação Sara tem-te dado muitas alegrias?

Tem e estamos a fazer um trabalho muito bonito. Ainda estamos a construir uma equipa, porque a associação está a crescer cada vez mais. Neste momento temos um projeto em que vamos começar em breve a construção da associação definitiva. E estamos a fazer um grande trabalho. Agora os miúdos foram todos até aos Açores, com as pessoas da associação. E a associação está a crescer muito, o que me deixa muito feliz, e muita gente tem ajudado.

E apontar caminhos para jovens, que certamente não teriam oportunidades, é o essencial?

É o essencial e aquilo que eu disse no início volto a dizer hoje, que nós neste momento temos sensivelmente à volta de 40 crianças. E se daqui a 10 anos, uma dessas crianças for ou médico ou carpinteiro, e que seja feliz na profissão, valeu a pena. Valeu a pena porque eu só pretendo duas coisas - nós, não sou eu, a associação: é ajudar e que um dia uma dessas crianças que venha a ter um grande sucesso de carreira, independentemente da área, se lembre da minha filha.

E o avô que eu tenho aqui à minha frente. 

O avô cantigas. Os meus filhos chamam-me assim.

Vais ser avô de novo.

Sim, mais uma vez. 

E então, como é que é o avô?  

Eu estou com eles pontualmente, estou à espera que eles estejam um bocadinho maiores para os lEevar, passar uns dias comigo, no Algarve, onde for. Estou muito feliz por ver o David como o vejo. A minha felicidade passa muito por aí.  

Porquê?  

Porque eu nunca imaginei ver o David pai. Claro, que um dia.

Eu por acaso acho que o David se estruturou, em todos os sentidos, muito bem.

Eu dou com ele a ouvir coisas do género... um dia estávamos aqui em estúdio e eu pergunto-lhe 'então, queres ficar por aqui? Vamos jantar?' e ele diz 'não, sou pai de família, tenho de ir para casa' e acho isso muito bonito. Estávamos agora os dois na Suíça, tivemos um concerto e a felicidade dele qual era? Ir para casa para estar com o Lucas. Portanto, estou muito feliz por ver o David a viver isso. E o puto é lindo. Sou suspeito, claro.

Mas os teus filhos também são lindos. E depois as respetivas noras também são bonitas, não é? Isto é uma congregação de belezas. E como é que tens acompanhado o percurso do Mikael?

O Mikael está neste momento a gravar. Sinto que ele está muito feliz a gravar, o que é bom, tem grandes canções. E só sei que ele está a gravar porque ele grava aqui  E de vez em quando eu venho cá.

O que é para ti uma grande canção adaptada ao conceito do Mikael? É a letra, é o som, é a energia, é o quê?

O Mikael voltou àquilo que eu mais gosto nele como artista, que é aquela vertente mais romântica, que eu acho que até é a vertente que lhe fica melhor. E ele voltou a isso e tem neste momento grandes canções.

Tu nunca procuraste influenciá-los? Aliás, deve ter sido difícil, porque são filhos de. Também se impuseram cada um no seu caminho?

Isso é o percurso deles e eu até nem sei as coisas. Eu só estou a falar agora do Mikael, porque ele vem aqui de vez em quando gravar, nada mais. E o futuro dos nossos filhos tem de ser o que eles quiserem. E eles é que optaram, contra a minha vontade na altura, porque eu não gostava, eu não queria que eles estivessem na minha área.

Porquê? Por serem filhos do Tony Carreira teriam de lutar muito mais?

Sim, havia uma comparação e essa comparação é sempre lixada.

É a comparação e aquela ideia de que 'ah, pronto, estão aqui porque têm as cunhas', não é?

Claro que eles, ao serem filhos de, são beneficiados também, isto é uma verdade.

Eu não sei se são beneficiados  Por um lado são, por outro não.

Por outro é pior.

Porque há a comparação e há sempre aquela ideia de que consegue este sucesso porque tem lá o padrinho que é o pai.

A diferença é que, em relação a mim, as pessoas têm o direito de fazer esta leitura. O Tony veio do nada e chegou onde chegou. Com os filhos já não é assim e as pessoas têm o direito de fazer esta leitura. Mas é uma leitura que pode ser cruel. Qualquer pessoa tem direito ao sonho, venha ela de onde vier.

Eles já nascem num ambiente mais confortável. Tu facilitaste-lhes a vida ou não? Uma vez que tu te cumpres no trabalho, procuraste sempre também incutir o respeito pelo trabalho em cada um deles?

Eu fiz as duas coisas.

Independentemente de andares muito por fora. E aí a Fernanda teve um trabalho essencial?

Claro que sim, principalmente com o Mikael. Eu estava muito ausente. A Fernanda realmente foi uma grande mãe e ela é que fez aquele trabalho, que é o trabalho de nunca se esquecerem de onde vêm, o trabalho, o valor do trabalho, a humildade, o respeito, aqueles valores que eu, sou suspeito, mas acho que os meus filhos têm. Agora, o outro lado, é evidente que também estraguei.  

Porque tiveram coisas que tu não tinhas?

Claro que sim. E eu não pactuo em nada com uma pessoa que passou mal e que acha que o filho também tem de passar mal. Eu sempre dei tudo aos meus filhos, sempre.

Como é que se compatibiliza o sucesso que tu tens, a notoriedade que tu tens, a fama que tu tens, e que extravasa este país, e a humildade. Tu nunca te deslumbraste?

Não.

Nunca te envaideceste?

Não. E acho que tudo aquilo que tu disseste, o sucesso, tudo isso… Eu acho que sou melhor pessoa hoje do que há 30 anos, porque, primeiro, acho que isso não nos é dado, é-nos emprestado durante um tempo, e, segundo, porque eu acho que quando temos, eu como tu, Manuel, coisas muito bonitas que outras pessoas não tiveram, acho que quando isso nos é dado com o nosso trabalho, tudo certo, devemos é agradecer à vida e não estar aqui armado em parvo. Sinceramente.

E esta vida vale a pena? A vida tirou-te um bem inestimável, mas mesmo assim vale a pena?

A minha vida valeu a pena. Eu se tivesse de nascer outra vez no dia de hoje e ter a vida que tive, com tudo que tive, o bom e o mau, eu acho que isto era o meu caminho. E se assim tinha de ser, assim tinha de ser, e assim será. Agora, querendo acreditar na vida para lá desta vida...

Tu passaste a acreditar ou queres acreditar?

Quero acreditar.
  
Também te salva?

Sim, mas acreditando na vida para lá da vida, então há uma lógica de que vamos ter de cá voltar. Eu espero nunca mais cá voltar.

Porque te tornaste o ser humano que és?  

Não, porque...

Porque há quem diga que nós voltamos, para quem acredita, para nos aperfeiçoarmos, não é?

Eu não sei se acredito nessa conversa.

Eu não acredito.

Não, não faz sentido.

Mas então porque é que me dizes que não queres cá voltar?

Porque o que é mau é mesmo mau.

No teu caso foi muito mau. 

E eu, sinceramente, se há um boss lá em cima, um chefe que me está a ouvir, não me traga para cá nunca mais. O que vivi foi fantástico, muito obrigado. Aceito o lado mau, não tenho outra alternativa, aceito o lado mau. O lado bom foi 99% da minha vida, portanto, muito obrigado a todas as pessoas que me deram a possibilidade de viver esta vida.

O lado mau, que não se deseja a ninguém, também não foi esse lado mau que contribuiu para que hoje sejas uma pessoa melhor?  

Foi, claro que sim. Porque esse lado mau faz-nos estar no sítio certo, que é: deixa de ser parvo. Não és ninguém, tu não mandas em nada, tu estás aqui a falar, eu estou aqui a falar e saio daqui e posso levar com uma telha na cabeça e morrer. Portanto, e a telha não dependeu de mim, 'olha, ele teve azar'. 

Se isso me acontecer, eu responsabilizo-te…

Aqui não há telhas.

Já sabias que eu ia dizer isso.  

Mas volto a dizer, muito agrado por tudo o que vivi, aceito o outro lado, não tenho outra alternativa. Mas se tiver voto na matéria, se a ideia é voltar um dia, epá não, por favor não.

Uma última questão, orgulhas-te do homem em que te tornaste?  

Orgulho.  

Porquê?

Sempre que faço uma coisa que eu acho que não é bem correta, uma discussão com alguém ou até com os meus colaboradores, tenho sempre este pensamento: será que a tua filha teria orgulho em ti, ouvir-te falar assim?

O que é que achas? Teria?

Teria.

Só pode. Mais uma vez, um grande abraço  Para o ano encontramos-nos em Paris. Há muitos espetáculos por esse mundo fora para o ano, não é?

Para o ano sim, vamos estar na tournée francesa também. São 20 e tal espetáculos, espero ver-te.

A dizer 'Tony, Tony, Tony'

Eu ouvi-te a cantar as canções no casino.

Foi maravilhoso esse espetáculo.

Mas vi-te a fazer batota, a pegar no telemóvel.

Então, pois, eu não sei as letras. Mas com o telemóvel sei todas. Foi muito divertido. Eu sou teu fã, há muitos anos, tu sabes.

Obrigado, obrigado.

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