A estilista britânica Vivienne Westwood morreu, esta quinta-feira, aos 81 anos. A informação da morte da designer foi anunciada na conta oficial de Twitter da marca da designer. 

"Vivienne Westwood morreu hoje, pacificamente e rodeada pela sua família, em Clapham, no sul de Londres. O mundo precisa de pessoas como Vivienne para fazer uma mudança para melhor", pode ler-se na sua conta oficial.

Westwood ganhou fama e notoriedade pela sua ligação ao movimento punk, no Reino Unido, durante os anos 70. O estilo arrojado da estilista tornou-se emblemático quando, juntamente com Malcom McLaren, agente da banda Sex Pistols, acabou por influenciar uma geração.

Numa publicação na conta oficial da empresa no Instagram, publicada também pelas 21:00, salienta-se que Vivenne Westwood “continuou a fazer as coisas que amava, até ao último momento, desenhando, trabalhando na sua arte, escrevendo o seu livro e mudando o mundo para melhor”.

“Ela teve uma vida incrível. A sua inovação e impacto nos últimos 60 anos foram imensos e continuarão no futuro”, lê-se na publicação.

Vivienne Westwood começou a destacar-se no mundo da moda na década de 1970, com a criação vestuário andrógino, t-shirts panfletárias e uma atitude irreverente contra o sistema.

Em 1971, abriu a sua primeira loja, na King’s Road, em Londres, com o namorado da altura, Malcolm McLaren, agente dos Sex Pistols. A loja, inicialmente batizada Let It Rock, acabou por mudar de nome várias vezes ao longo dos anos 1970: Too Fast to Live, Too Young to Die, Sex e Seditionaries foram outros nomes que teve o negócio.

Pouco depois do final dos Sex Pistols, banda para a qual criava os ‘figurinos’, apresenta a primeira coleção em nome próprio, num desfile em Londres, em 1981.

A coleção, “Pirate”, é tida como a vanguarda do movimento neorromântico que surgiria naquela década.

Ao longo da carreira, Vivienne Westwood aproveitou as coleções que criou e os desfiles como “plataforma para fazer campanha por um mundo melhor”.

Defensora do ‘buy less, choose well, make it last’ (compra menos, escolhe bem, fá-lo durar, numa tradução livre em português), Vivienne Westwood era bastante crítica das empresas de ‘fast fashion’ (moda rápida).

Na criação das coleções otimizava o corte dos tecidos e fazia reutilização.

No site da Vivienne Westwood, recorda-se que a designer de moda sempre falou “incansavelmente sobre os efeitos das alterações climáticas e do consumo excessivo, enquanto mobilizava a atenção internacional em torno da cruzada ecológica”.

Nos últimos anos, a designer de moda apoiou “centenas de causas, organizações, associações e campanhas”, como a Amnistia Internacional e a War Child, e foi embaixadora da Greenpeace, mas também criou o seu próprio movimento, Climate Revolution.

Em 2014, em entrevista ao jornal The Guardian, disse que as alterações climáticas eram agora a sua “prioridade, não a moda”.

Apesar de ser a criadora de uma famosa t-shirt dos Sex Pistols com uma imagem da rainha Isabel II com um alfinete os lábios ou com a frase “God save the Queen” a tapar-lhe os olhos e a boca, foi condecorada pela monarca, em 1992, com a Ordem do Império Britânico, pelo trabalho desenvolvido na indústria da moda e nas artes, e, em 2006, com o título de Dama.

CNN Portugal / com Lusa