A banda Black Eyed Peas envolveu-se em polémica por causa do concerto da passagem de ano em Zakopane, na Polónia. A causa? As braçadeiras arco-íris que usaram durante o concerto, que foi transmitido na televisão nacional.

Segundo a BBC, para além de terem usado as braçadeiras, o vocalista wil.i.am dedicou o tema "Where is the love" "àqueles que experimentam ódio ao longo do ano", citando em específico a comunidade judaica, afrodescendentes e a comunidade LGBTQ.

"Isto é para a unidade e as comunidades que, como as pessoas LGBT+, sofrem o ódio dos outros. Às vezes tens de ir mais longe, onde as pessoas não têm os mesmos pontos de vista que tu, para os inspirares e lhes mostrares como é a tolerância", disse a banda perante o público.

No final da atuação, o apresentador da gala esclareceu que "a contratação dos artistas e o vestuário foram acordados com a direção do canal de televisão". 

Após a atuação da banda, houve um ministro que utilizou o Twitter para condenar a "promoção LGBT".

"Promoção LGBT na TVP2. Desgraça! Esta não é a véspera de ano novo dos sonhos, é a véspera de ano novo da degeneração", escreveu o ministro adjunto da Justiça Marcin Warchol no Twitter.

O tweet de Warchol acabaria por ter resposta do vocalista da banda e gerou uma discussão no Twitter, com o ministro a questionar will.i.am porque é que os Black Eyed Peas atuaram no Catar e na Arábia Saudita, que têm leis mais rígidas no que diz respeito às pessoas LGBTQ, acusando os músicos de "vender os seus príncipios por lucros". 

"Fomos a esses lugares para espalhar amor. Para quê boicotar quando podemos ir diretamente à fonte que precisa de ser inspirada e dar o nosso melhor para espalhar amor... é chamado amor", escreveu will.i.am no Twitter, dizendo que o dinheiro faz parte da "carreira da música".

Segundo a BBC, a banda recebeu um milhão de dólares para substituir Mel C no concerto de Ano Novo na Polónia. A ex-Spice Girl recusou atuar à última hora alegando "questões que não se alinham com as comunidades que apoia".

A comunidade LGBT tem enfrentado grandes desafios na Polónia uma vez que tanto o governo como o presidente Andrzej Duda usaram a retórica anti-LGBT para ganhar votos antes das eleições em 2019 e 2020. 

Casamentos e uniões civis entre pessoas do mesmo sexo não são legalmente reconhecidos na Polónia, assim como a adoção por casais do mesmo sexo.

CNN Portugal / AM