O Banco Central Europeu (BCE) manteve o compromisso assumido na última reunião, em fevereiro, e voltou a aumentar as taxas de juro diretoras em 50 pontos base. Este é já o terceiro aumento seguido de 50 pontos base e a sexta subida consecutiva, para um total de 350 pontos base desde julho. No entanto, em conferência de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, não se comprometeu quanto ao caminho a seguir no que diz respeito a futuras subidas das taxas de juro.

Para a presidente do BCE, ainda há mais caminho a percorrer caso o cenário base se mantenha, disse quando questionada quanto ao futuro da política monetária. No entanto, admitiu que “não é possível, neste momento, determinar o que será o caminho daqui para a frente”, rematando que as futuras decisões estarão dependentes dos dados disponíveis.

Deste modo, os três elementos a considerar no que diz respeito às futuras decisões do BCE são, frisou Lagarde, as perspetivas de inflação “à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”.

“Se o cenário base do BCE persistir quando a incerteza reduzir, sabemos que temos terreno pela frente”, apontou a presidente do BCE em referência à recente turbulência sentida no setor financeiro, com a queda do Sillicon Valley Bank (SVB), nos Estados Unidos, bem como a situação com o europeu Credit Suisse.

Por outro lado, Lagarde ressalva que o cenário base determinado pelo banco central assenta em dados até 15 de fevereiro para as perspetivas internacionais e pressupostos técnicos, enquanto as projeções macroeconómicas da Zona Euro até 1 de março, pelo que não tem em consideração os desenvolvimentos dos últimos dias.

Segundo o BCE, existem ainda novas projeções para a taxa de inflação, que deverá baixar para os 5,3% em 2023, 2,9% em 2024 e 2,1% em 2025. Contudo, embora Lagarde refira a necessidade de receber a confirmação dos dados no que toca à inflação subjacente, já é possível verificar algumas "pequenas melhorias em certas áreas, mas não muito".

Em relação ao crescimento económico na Zona Euro, as projeções foram revistas em alta para uma média de 1% em 2023, com o crescimento previsto para 2024 e 2025 a ser revisto em baixa para 1,6%. Ainda assim, Lagarde reiterou que o BCE está confiante na decisão tomada esta quinta-feira, traduzindo-se numa decisão necessária e "robusta".

Filipe Maria