Pedroto, Toni, Vítor Baptista, Preud’homme, Poborsky, Júlio, Ademir, Brian Deane, enfim: Benfica-FC Porto, regresso ao passado - TVI

Pedroto, Toni, Vítor Baptista, Preud’homme, Poborsky, Júlio, Ademir, Brian Deane, enfim: Benfica-FC Porto, regresso ao passado

Sérgio Conceição e Michel Preud'homme

Esta sexta-feira há clássico. Até lá recordamos clássicos de outro tempo. Neste caso: clássicos sem implicações para o título mas clássicos ainda assim (e a foto deste artigo tem má resolução mas ela própria é também um clássico)

O jogo desta sexta-feira entre Benfica e FC Porto, não sendo de “vida ou morte” para os dois clubes, assume um papel importante nas contas do título desta época - e da luta pelo segundo lugar, que dá acesso direto à Champions. Em caso de vitória do Benfica ficam a faltar apenas quatro triunfos para vencer o campeonato e o FC Porto fica com a luta pelo segundo lugar mais apertada (Braga está muito-muito próximo, Sporting pode passar a sonhar nesse caso). No entanto, em caso de vitória do FC Porto, os sete pontos de diferença não reabrem totalmente o campeonato mas também não o fecham.

Mas como foi quando o clássico se jogou na Luz em circunstâncias em que o campeonato já estava decidido? 

1975/76: 88 minutos

A época começou em pleno PREC. Enquanto o país se tentava encaminhar para a democracia após o fim do Estado Novo, o Benfica operava também uma grande revolução. 1975 foi igualmente um verão quente na Luz: saíram vários jogadores históricos do clube, nomeadamente Eusébio mas também Simões e Jaime Graça, e Mário Wilson sucedeu ao campeão Milorad Pavic no comando técnico. Praticamente sem reforços, o Benfica começou a época em casa com um empate a zero frente ao Boavista de Pedroto, que viria a ser o grande e inesperado rival nessa temporada. Sem conhecer o sabor da derrota desde final de janeiro, e apenas perdendo um ponto em dez jornadas, o Benfica selou o título na antepenúltima jornada, em maio, frente ao Vitória no Bonfim, neutralizando o fator-espetáculo dos dois últimos jogos: uma ida a Alvalade e a receção ao FC Porto.

No dérbi, a vitória sorriu ao Benfica, com três golos tardios de Nené (2) e Jordão, e tudo parecia bem encaminhado para o Benfica levar de vencida a última partida do campeonato. Os golos de Toni e Vítor Baptista deram uma confortável vantagem ao Benfica, mas o FC Porto, determinado em ultrapassar o Sporting na luta pelo quarto lugar, conseguiu dar a volta no segundo tempo com dois jogadores saídos do banco. O brasileiro Ademir reduziu no início da segunda parte e Júlio marcou os dois golos que confirmaram a reviravolta, o último dos quais aos 88 minutos. O FC Porto venceu e conseguiu mesmo roubar a quarta posição ao Sporting, que perdeu com o Boavista, surpreendente segundo classificado essa época. O Belenenses foi terceiro.

1976/77: aquele outubro-maio

Na temporada seguinte, nova troca de treinadores. Mário Wilson sai e entra John Mortimore, não sem antes haver enorme polémica. O primeiro escolhido para o lugar foi Dario Gradi, que passou apenas 24 horas em Lisboa, uma vez que foi rejeitado pelos principais jogadores do plantel. Durante semanas, muito se especulou sobre quem seria o técnico do clube, até a escolha ter recaído sobre o inglês ex-Portsmouth. As mudanças no plantel também não foram profundas, com apenas uma contratação - Minervino Pietra, comprado ao Belenenses.

O início de época não foi fácil, com apenas uma vitória nos cinco primeiros jogos do campeonato. Contudo, à sexta jornada o Benfica meteu a quinta e não mais foi superado: de outubro a maio perdeu apenas três pontos.

Com tão bons resultados, não é de admirar que o Benfica tenha chegado à penúltima jornada, em que recebeu o FC Porto na Luz, já campeão. Treinado por Pedroto, que viria a revolucionar toda a mentalidade do clube, o FC Porto precisava de uma vitória para manter o segundo lugar perante o Sporting, que iria receber em casa o Belenenses. No entanto, o Benfica não facilitou. Um golo de Chalana na primeira parte e um bis de Pietra, o tal único reforço, deram um triunfo confortável à equipa lisboeta, que só voltaria a conquistar o título nacional quatro anos depois, em 1981.

1997/98: 30 anos

O final da década de 90 do século passado não poderia ter sido mais diferente para Benfica e FC Porto. Em Lisboa, o Benfica vivia a pior era da sua história. O FC Porto celebrou o Penta, feito inédito na história do futebol português.

Quando se encontraram na antepenúltima jornada da época 97/98, o FC Porto, sob o comando de António Oliveira, já tinham assegurado o quarto de cinco títulos consecutivos. O Benfica, por seu turno, fez um dos melhores campeonatos dessa tumultuosa era, terminando em segundo - com Graeme Souness ao leme.

O FC Porto entrou em campo com segundas linhas e um tal de Sérgio Conceição na frente de ataque, enquanto o Benfica alinhou na máxima força, com craques como Preud’homme, Poborsky e Nuno Gomes. Num jogo descontraído, coube a Brian Deane, um dos reforços do treinador escocês, abrir o marcador, com uma grande execução com a parte de fora de pé direito. Poborsky e Tahar fizeram os restantes golos naquela que foi uma das maiores vitórias do Benfica sobre o FC Porto nos últimos 30 anos.

Este clássico do final dos anos 90 não teve qualquer impacto na classificação final do campeonato. O FC Porto terminou com nove pontos de vantagem sobre o Benfica, que por sua vez finalizou a época com essa mesma diferença face ao Vitória SC, terceiro classificado.

veja aqui os golos do Benfica – FC Porto da época 1997/98

Continue a ler esta notícia

EM DESTAQUE