O governador do Banco de Portugal está confiante de que é possível evitar para já a recessão na zona euro, acreditando que o crescimento resistiu no quarto trimestre de 2022 e irá ser positivo no primeiro trimestre de 2023.

Mário Centeno falava num painel no âmbito da 53.ª reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, este ano dedicada ao tema “Cooperação num Mundo fragmentado”.

O governador do Banco de Portugal (BdP), que faz parte do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), assinalou que “a economia tem surpreendido trimestre após trimestre”, pelo que prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro tenha escapado a uma contração no último trimestre do ano passado.

Paralelamente, revelou-se otimista para o primeiro trimestre de 2023: “talvez sejamos surpreendidos” com um crescimento positivo, salientando ser natural uma desaceleração.

Ainda assim, revelou que o preocupa o sentimento de confiança de empresas e famílias, admitindo que na zona euro ainda não houve a recuperação total do que aconteceu em fevereiro.

Para o governador do BdP, as tensões geopolíticas são, especialmente para a Europa, o maior desafio, mas realçou acreditar que está dotada dos instrumentos necessários”.

“É por isso que acredito que podemos evitar a recessão”, salientou.

Mário Centeno defendeu ainda que a “normalização da política monetária é necessária na Europa”, garantindo que o BCE irá continuar a “combater a inflação”.

“Não quero subscrever a ideia de que os bancos centrais começaram a recessão, porque a inflação também não é boa”, disse.

Mário Centeno considerou ainda que se está a “redesenhar a globalização”: “não acredito na desglobalização”.

“Espero que desta vez o possamos fazer de uma forma mais inclusiva”, disse, dando nota de que a redistribuição não é suficiente e é precisa uma abordagem “mais ampla”.

O Fórum Económico Mundial reúne líderes internacionais governamentais, institucionais, empresariais e da sociedade civil, que ao longo desta semana estão a debater “os desafios económicos, energéticos e alimentares que se colocam às economias mundiais e lançar as bases que permitam construir um mundo mais sustentável e resiliente”.

/ FM