Os drones iranianos são uma das maiores dores de cabeça para as forças armadas da Ucrânia, desde que foram introduzidos na guerra. Durante meses, os silenciosos shaded-136 espalharam o terror e destruíram várias infraestruturas críticas ucranianas, mas há um veículo enviado pela Alemanha que está a tornar-se num verdadeiro antídoto contra esta arma russa.

Na passagem de ano, segundo Volodymyr Zelensky, os sistemas de defesa antiaérea ucranianos destruíram 80 drones e mísseis que voavam em direção a Kiev. O culpado? O poderoso Panzer Gepard alemão, uma espécie de tanque de guerra altamente blindado, com lagartas, que possui duas metralhadoras de 35 milímetros guiadas por radar.

Berlim enviou 30 destes veículos o ano passado e planeia enviar mais sete. O facto de ser uma arma antiaérea sob chassis faz com que seja a arma perfeita para defender os céus e mudar rapidamente de localização, defendendo outra região momentos depois. A Ucrânia diz ter destruído mais de 540 drones, um número muito elevado, embora seja difícil de comprovar.

Não sendo um carro de combate pequeno – pesa 47,5 toneladas e é operado por uma tripulação de três pessoas –, quando comparado com um sistema de defesa antiaérea como o S-300 ou o Patriot, o Gepard tem uma dimensão reduzida.

Criado em 1963, pela Krauss-Mafei, o Gepard é um produto da Guerra Fria. Ao todo, foram produzidas 570 unidades, mas esta é primeira vez que estas armas antiaéreas foram utilizadas em combate.

Apesar de um desempenho excecional contra aquela que é uma das maiores ameaças para a Ucrânia, o volume de mísseis e de ataques de drones russos faz com que o número de veículos e de munições esteja muito aquém do necessário. E nenhum dos dois pode ser resolvido do dia para a noite.

O primeiro problema começa com as munições. Uma grande parte das munições de 35mm utilizadas pelo Gepard são fabricadas na Suíça. Porém, a postura neutral do país faz com que tenha rejeitado todos os pedidos alemães para a exportação de munições para a Ucrânia. Berlim pediu ao governo suíço em outubro 12.400 munições, mas a Suíça rejeitou.

Em dezembro, a empresa industrial-militar Rheinmetall anunciou que vai abrir uma nova linha de produção de munições de 35mm, no entanto, esta só estará a funcionar perto do final de 2023. 

A incapacidade por parte do Ocidente de conseguir aumentar a produção de munições e armamento que a Ucrânia precisa está a preocupar as autoridades dos países da NATO. Esse é um dos motivos da insistência do Ocidente em enviar os antigos sistemas produzidos pela União Soviética que existem espalhados pelo mundo.

João Guerreiro Rodrigues