As sete ministras do novo Governo - TVI

As sete ministras do novo Governo

Luís Montenegro apresentou o terceiro Executivo com mais mulheres na história da democracia. Conheça as sete ministras que vão tomar posse no dia 2 de abril

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Esta quinta-feira não fica apenas marcada pela apresentação dos 17 nomes que vão integrar o XXIV Governo Constitucional, mas também pela constituição do terceiro Executivo com mais mulheres na história da democracia, atrás dos dois últimos executivos de António Costa.

Rita Júdice, Margarida Blasco, Ana Paula Martins, Maria do Rosário Palma Ramalho, Maria da Graça Carvalho, Margarida Balseiro Lopes e Dalila Rodrigues tomam posse no próximo dia 2 de abril e esta é a sua história.

Rita Júdice: do direito imobiliário ao Ministério da Justiça

Filha do antigo bastonário da Ordem dos Advogados e antigo dirigente social-democrata, José Miguel Júdice, Rita Alarcão Júdice, 50 anos, licenciou-se em Direito pela Universidade Católica em 1997 e é especialista em direito imobiliário.

Durante 25 anos a advogada desempenhou funções na sociedade PLMJ, escritório de advogados fundado pelo pai, no qual também acabou por se tornar sócia, mas em 2023 deixou o cargo à disposição. Juntou-se, entretanto, ao vice-presidente do PSD António Leitão Amaro no Conselho Estratégico Nacional do partido, como coordenadora para a habitação.

Foi uma das deputadas estreantes nas eleições legislativas deste ano, eleita por Coimbra, onde encabeçou a lista pela AD, e agora assume a pasta da Justiça.

Atualmente é ainda membro da Comissão Executiva da Urban Land Institute Portugal e associada da Women in Real Estate.

Margarida Blasco: a juíza que já podia ter sido ministra

Nasceu em Castelo Branco há 67 anos e licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa em 1978. Chegou ao Governo de Cavaco Silva em 1987 como chefe de gabinete do secretário de Estado adjunto do Ministro da Justiça, e lá ficou até 1991.

Sete anos depois integrou o Tribunal da Relação de Lisboa e ascendeu a juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça em 2019, reformando-se em 2021.

A partir de 2 de abril assumirá o cargo de ministra da Administração Interna no XXIV Governo Constitucional. Contudo, não é a primeira vez que o nome de Margarida Blasco é trazido para cima da mesa e para este mesmo Ministério. Na sequência da demissão de Miguel Macedo, em 2014, foi referida como uma das potenciais substitutas, mas o lugar acabou por ser atribuído a Anabela Rodrigues.

Na altura era a primeira mulher à frente da Inspeção-geral da Administração Interna, onde se manteve entre 2012 e 2019 e ganhou destaque pela tolerância zero ao racismo nas forças policiais, nomeadamente em casos como os que ocorreram no bairro da Jamaica, no Seixal, ou na esquadra de Alfragide, na Amadora.

Antes disso, Margarida Blasco também já tinha sido a primeira diretora-geral do Serviço de Informações de Segurança entre 2004 e 2008.

Ana Paula Martins: antiga líder dos farmacêuticos na frente da Saúde

Destacou-se pela sua experiência como bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, bem como de presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, atualmente Unidade Local de Saúde Santa Maria, em Lisboa, e será a partir de 2 de abril a nova ministra da Saúde de Portugal, num período desafiante para o SNS.

Ana Paula Martins nasceu a 4 de março de 1965, é licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Lisboa, possui um mestrado em Epidemiologia pela Universidade Nova e um doutoramento em Farmácia Clínica.

Para além da presidência da Ordem dos Farmacêuticos, ocupou diversos cargos de destaque ao longo da sua carreira, inclusive o de professora auxiliar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, diretora do Centro de Estudos de Farmacoepidemiologia da Associação Nacional de Farmácia.

Não é a primeira vez que se envolve na política, tendo já sido vice-presidente do PSD e deputada na Assembleia da República.

A futura ministra foi ainda distinguida com a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro, atribuída pelo Ministério da Saúde, que reconheceu o seu trabalho em prol da saúde pública em Portugal.

É casada, mãe de dois filhos e uma figura dedicada ao serviço público e ao avanço da saúde no país, tendo contribuído em vários setores desta área.

Maria do Rosário Palma Ramalho: da universidade para o Governo com o Direito do Trabalho

Doutorada em Direito e professora catedrática nesta área, na Universidade de Lisboa, há 14 anos, Rosário Palma Ramalho foi selecionada para liderar o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Coordena disciplinas como o Direito do Trabalho e Teoria Geral do Direito Civil em vários níveis académicos e é presidente da Associação Portuguesa de Direito do Trabalho desde 2013, tendo sido reeleita várias vezes.

Ao longo da sua carreira coordenou ainda projetos importantes, entre os quais a elaboração do projeto da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, também em 2013, e atualmente desempenhava funções de destaque em organizações internacionais, nomeadamente a Sociedade Internacional de Direito do Trabalho e Segurança Social.

Palma Ramalho é conhecida pela defesa de uma legislação laboral adaptada aos tempos modernos, que enfatiza a importância da negociação coletiva e critica abusos verificados, por exemplo, no regime de banco de horas individual.

É casada com António Ramalho, ex-presidente executivo do Novo Banco, e a sua filha, Inês Palma Ramalho, é vice-presidente do PSD desde julho de 2022.

Maria da Graça Carvalho: a ministra do Ambiente que já foi ministra da Ciência

Maria da Graça Carvalho, a nova ministra do Ambiente e Energia, traz consigo uma vasta experiência tanto no cenário nacional como europeu. Com um histórico marcado por importantes contribuições nas áreas da ciência, energia e inovação, assume um papel crucial no novo Governo de Luís Montenegro.

Antes de assumir essa posição ministerial, ocupou cargos de destaque, incluindo o de ministra da Ciência e do Ensino Superior entre 2002 e 2005 nos governos liderados por Durão Barroso e Santana Lopes. Além disso, atuou como conselheira principal do presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, oferecendo os seus conhecimentos em temas como ciência, ensino superior, inovação, energia e ambiente.

Como eurodeputada, Maria da Graça Carvalho foi uma voz influente na reforma do Mercado Elétrico Europeu, destacando-se como negociadora pelo Partido Popular Europeu. A sua abordagem inclui a defesa de incentivos ao investimento, pesquisa e inovação, bem como a promoção da criação de interligações elétricas para estabelecer um mercado de energia verdadeiramente europeu.

Além de sua atuação política, é professora catedrática no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, com mais de 30 anos de experiência nas áreas de energia, alterações climáticas e política de ciência, tecnologia e inovação. As suas competências foram fundamentais como redatora do programa de financiamento europeu para a ciência e inovação Horizonte 2020.

Ao longo da carreira foi reconhecida pelas suas contribuições, incluindo a condecoração com o grau de Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública pelo Presidente Jorge Sampaio em 2002 e o Prémio Maria de Lourdes Pintasilgo em 2016, pelo seu desempenho profissional.

Margarida Balseiro Lopes: a mais nova do executivo

Margarida Balseiro Lopes, vice-presidente do PSD, está prestes a assumir uma nova pasta ministerial no XXIV Governo Constitucional. A criação do Ministério da Juventude e Modernização, uma novidade no atual executivo, reflete um compromisso renovado com questões juvenis e com a modernização administrativa.

Com 34 anos, traz consigo experiência política e académica. Além do seu papel como deputada entre 2015 e 2022, ocupou ainda a liderança da Juventude Social-Democrata de 2018 a 2020. Atualmente, trabalha numa empresa multinacional de auditoria e consultoria.

A sua formação inclui uma licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa, um mestrado em Direito e Gestão pela Universidade Católica Portuguesa e uma pós-graduação em Fiscalidade pela mesma instituição. Também se encontra a realizar um doutoramento em Direito.

Dalila Rodrigues: a defensora do mecenato e da autonomia dos museus

Indicada para o Ministério da Cultura no próximo Governo, Dalila Rodrigues é conhecida pelo seu trabalho como historiadora de arte e pela defesa do mecenato e da autonomia dos museus.

É doutorada em História da Arte pela Universidade de Coimbra e desempenhou funções como diretora do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém desde 2019.

Foi ainda professora coordenadora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu e professora catedrática convidada do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

No seu currículo está também a direção do Museu Nacional de Arte Antiga entre 2004 e 2007, onde implementou diversas iniciativas de restauração, angariou fundos consideráveis através do mecenato e aumentou significativamente o número de visitantes. Contudo, a sua gestão não esteve isenta de controvérsias, com divergências sobre modelo de gestão e autonomia financeira.

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