Instrutor morre durante voo. Piloto pensava que ele estava "a fingir que dormia" - TVI

Instrutor morre durante voo. Piloto pensava que ele estava "a fingir que dormia"

  • CNN
  • Maureen O'Hare
  • 22 fev 2023, 16:20
Um avião Piper PA-28-161 semelhante ao envolvido no incidente em Blackpool. Créditos: aviation-images.com/Universal Images Group/Getty Images/File

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Um instrutor morreu em pleno voo após sofrer uma paragem cardiorrespiratória, mas o piloto pensou que o colega estava a brincar e só se apercebeu do sucedido depois de aterrar na pista com o homem caído sobre o seu ombro.

De acordo com um relatório de segurança recentemente publicado sobre o incidente, o piloto pensou que o instrutor fingia estar a dormir durante o voo num circuito acima do aeroporto de Blackpool, em Lancashire, Inglaterra, a 29 de junho de 2022.

O piloto, que era qualificado, tinha pedido ao instrutor para o acompanhar a bordo do Piper PA-28 de  quatro lugares por questões de segurança durante condições de vento, de acordo com o relatório da Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido (AAIB na sigla original).

Antes da descolagem, os dois conversaram normalmente enquanto o piloto se dirigia para a pista de saída, segundo contou à AAIB. As últimas palavras do instrutor foram: "Parece tudo bem, não há nada atrás de si."

Pouco depois da descolagem, a cabeça do instrutor tombou para trás. Como os dois se conheciam bem, o piloto pensou que o instrutor estava "a fingir que dormia" enquanto ele completava o circuito. Quando o avião deu a volta, o instrutor tombou a cabeça sobre o ombro do piloto, mas uma vez mais o piloto pensava que lhe estava a pregar uma partida.

Depois de aterrar em segurança com o instrutor ainda caído sobre o seu ombro e sem responder, o piloto percebeu que algo estava errado e alertou os serviços de emergência do aeroporto, que não conseguiram reanimar o instrutor.

O instrutor, que tinha perto de 9.000 horas de voo, estava bem disposto antes de entrar no avião.

"As pessoas que falaram com ele na manhã do incidente disseram que ele estava normal e alegre e não havia indícios de que não se sentia bem", pode ler-se no relatório da AAIB. "As três pessoas que voaram com ele antes do incidente disseram que o instrutor parecia bem e que nada de anormal tinha ocorrido."

O departamento médico da Autoridade da Aviação Civil do Reino Unido analisou o incidente e o historial médico do instrutor e concluiu que, "a partir das provas fornecidas, é provável que o indivíduo tenha sofrido uma paragem cardiorrespiratória quando o avião descolou". Sabia-se que ele tinha tensão arterial elevada, mas estava dentro dos limites regulamentares.

O relatório da AAIB conclui que, embora nesta ocasião o piloto fosse já qualificado e conseguisse aterrar em segurança, o desfecho poderia ter sido muito diferente.

"Nenhum teste ou avaliação pode dar uma deteção 100% fiável de problemas cardíacos" e "é necessário encontrar um equilíbrio entre minimizar o risco para a segurança do voo e uma avaliação médica justa e razoável", diz a AAIB. "A raridade de acidentes causados por eventos cardíacos em voo sugere que este equilíbrio está, atualmente, correto."

 

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