Mundo deve preparar-se para recordes de temperatura com o El Niño - TVI

Mundo deve preparar-se para recordes de temperatura com o El Niño

  • Agência Lusa
  • MBM
  • 3 mai 2023, 11:24
Temperaturas recordes com o El Niño (Santi Donaire/ AP)

A OMM alerta: "o desenvolvimento do El Niño provavelmente levará a um novo pico no aquecimento global e aumentará as hipóteses de se baterem recordes de temperatura"

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A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou esta terça-feira para a probabilidade de o fenómeno climático El Niño se formar este ano, elevando as temperaturas a novos recordes.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU, estima que haja 60% de hipóteses de o El Niño se formar até o final de julho e 80% até o final de setembro.

O El Niño é um fenómeno climático natural geralmente associado ao aumento das temperaturas e da seca, em algumas partes do mundo, e às fortes chuvas, noutras.

Aconteceu pela última vez em 2018-2019 e deu lugar a um episódio particularmente longo - La Nina -, que causa efeitos opostos e, em particular, uma queda nas temperaturas.

Apesar desse efeito moderador, os últimos oito anos foram os mais quentes alguma vez registados.

Contudo, sem o La Niño, a situação do aquecimento poderia ter sido ainda pior: “atuou como um travão temporário no aumento da temperatura global”, disse secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado.

Temperaturas recorde

"O desenvolvimento do El Niño provavelmente levará a um novo pico no aquecimento global e aumentará as hipóteses de se baterem recordes de temperatura", alertou.

A OMM indicou que 2016 foi "o ano mais quente já registado, devido ao 'duplo efeito' de um El Niño muito forte e ao aquecimento causado por gases de efeito estufa ligados à atividade humana".

Os efeitos do El Niño nas temperaturas são geralmente sentidos no ano seguinte ao surgimento do fenómeno meteorológico, pelo que o seu impacto provavelmente será mais sentido em 2024, sublinha a OMM.

"O mundo deve preparar-se", alertou o responsável.

Destacou ainda a necessidade de estabelecer sistemas de alerta precoce - uma das prioridades da OMM - para proteger as populações mais ameaçadas.

Não há dois El Niño iguais e os seus efeitos dependem, em parte, da época do ano, disse a OMM, acrescentando que tanto a organização como os serviços meteorológicos nacionais monitorizarão de perto a situação.

O fenómeno ocorre em média a cada dois a sete anos e costuma durar de nove a 12 meses.

É geralmente associado ao aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Oceano Pacífico tropical central e oriental.

O El Niño geralmente causa aumento da precipitação em partes do sul da América do Sul, no sul dos Estados Unidos, Corno da África e Ásia Central e pode causar secas severas na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.

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