Guilherme tem seis anos e passou a maior parte da vida no Hospital Pediátrico de Coimbra. Desde que nasceu, a unidade hospitalar tornou-se praticamente a sua casa. O pai, Kevin, faz tudo o que está ao seu alcance para estar ao lado do filho, mesmo que isso implique sacrifícios diários.
A viver na Covilhã, Kevin percorre todas as semanas cerca de duas horas de viagem até Coimbra para visitar Guilherme. As despesas com combustível representam um esforço financeiro significativo e levam-no a abdicar de necessidades básicas. «Prefiro não gastar muito em comida, só para ter dinheiro para o gasóleo», revelou.
A história deixou Cristina Ferreira e Cláudio Ramos muito emocionados.
Guilherme nasceu com atresia esofágica, uma condição em que o esófago não se forma devidamente. Nunca conseguiu ingerir alimentos sólidos e precisa de ser aspirado diariamente, por não conseguir engolir a saliva. Só aos três anos saiu pela primeira vez do hospital.
Ao longo deste percurso, foram os médicos e os enfermeiros que acompanharam grande parte do crescimento do menino. «Ele aprendeu a articular as primeiras palavras com os médicos e as enfermeiras», contou Kevin.
O pai recorda ainda a primeira saída de Guilherme do hospital: «A primeira vez que saiu do hospital chovia. Ele nem sabia o que era a chuva.»
Agora, o menino terá ainda de enfrentar uma nova intervenção cirúrgica, que implica subir o estômago e retirar um dos pulmões. Enquanto isso, Kevin continua a fazer o caminho entre a Covilhã e Coimbra, movido pela vontade de estar junto do filho. «Um minuto separados parece uma eternidade para nós», confessou.