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Perdeu a mãe aos 18 anos e transformou a dor em algo inesperado: conheça o projeto de vida de Inês

Inês Almeida tinha apenas 18 anos quando a vida lhe pregou uma das maiores partidas. Em 2015, perdeu a mãe, Laidinha, vítima de um cancro do útero diagnosticado apenas dois meses antes. Uma partida inesperada que deixou marcas profundas na família e que a jovem ainda hoje recorda com emoção.

A doença avançou de forma fulminante e a família não estava preparada para enfrentar aquele diagnóstico, tendo vivido inicialmente um período de negação. Para Inês, uma das maiores dores foi pensar em tudo aquilo que a mãe não teve oportunidade de acompanhar. Na altura, tinha apenas 18 anos e ainda não tinha ido para a faculdade nem tirado a carta de condução. 

No entanto, no meio da saudade, Inês encontrou uma forma muito especial de continuar ligada à mãe. Laidinha tinha uma enorme paixão por orquídeas e chegou a colecionar cerca de 200 vasos destas flores. Na altura, Inês não compreendia totalmente o fascínio da mãe por aquelas plantas, mas, depois da sua morte, começou a cuidar da coleção que tinha deixado. O que começou por ser uma forma de preservar uma herança afetiva acabou por se transformar num projeto de vida.

Durante a pandemia, decidiu dar um novo passo e começou a vender orquídeas através das redes sociais, criando o projeto «Orquídeas da Laidinha». A paixão foi crescendo e acabou por transformar também o seu percurso profissional. Inês deixou de trabalhar como terapeuta da fala para se dedicar inteiramente ao negócio, que conta atualmente com cerca de 300 variedades de orquídeas. Ao longo deste percurso, chegou mesmo a ter 1200 plantas disponíveis para venda.

Em novembro de 2025, concretizou mais um sonho ao abrir um espaço físico dedicado às «Orquídeas da Laidinha». A inauguração teve um significado particularmente especial: aconteceu no dia em que se assinalavam dez anos do enterro da mãe. Uma coincidência carregada de simbolismo, que tornou a abertura da loja numa homenagem ainda mais emotiva a Laidinha.

Mas a vida voltou a colocar Inês perante um desafio difícil. Em julho de 2025, o pai foi diagnosticado com um linfoma. Depois de a quimioterapia não ter sido suficiente, começou a realizar imunoterapia, numa nova etapa de tratamento. Apesar de tudo o que já viveu, Inês mantém a esperança de que a história do pai tenha um desfecho diferente daquele que marcou a sua relação com a mãe.

Hoje, cada orquídea tem um significado especial para Inês. Mais do que um negócio, o projeto representa uma história de amor entre mãe e filha e uma homenagem a uma mulher que continua presente na sua vida, mesmo depois da partida. Laidinha deixou uma coleção de flores, mas a filha transformou-a num legado que continua a crescer.

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